sexta-feira, 21 de março de 2014

MANIFESTO



GRUPO ESTUDOS SOBRE IDEOLOGIAS LIBERTARIAS

“Enquanto os homens exercem seu podres poderes”  Caetano veloso

Nossa sociedade e seus podres poderes!
Desde o ano passado, apesar de todo discurso dos vários governos afirmando que o Brasil estava bem, percebemos que a situação social vinha se agravando.
A aprovação da realização da COPA do MUNDO no Brasil em 2014 só veio a deixar claro o que antes escondia essa dura realidade, primeiro foi o aumento de um transporte publico de péssima qualidade que funcionou como um estopim para manifestações contrarias a esse aumento em varias capitais do país.
As mídias tecnológicas foram a grande ferramenta para mobilizar grandes contingentes de pessoas que saíram as ruas para exigir uma serie de reivindicações e a luta contra o aumento de ônibus foi só um dos itens dessa pauta, outro que também foi uma forte referencia para as mobilizações foram os gastos públicos com a COPA DO MUNDO.
Inicialmente estavam previstos algo em torno de 2 bilhões, rapidamente  os atrasos propositais e outros problemas elevaram esse valor para 4 e atualmente já se fala em mais e 30 bilhões e segundo especialistas esse é um valor que nunca será computado e comprovado, consequentemente também fiscalizado e cobrada as devidas responsabilidades dos que fizeram mal uso e desviaram esse dinheiro publico.
Um pais que não investe o suficiente em educação, saúde, infraestrutura (transporte, saneamento básico, etc), que não atende ao gigantesco déficit habitacional, que não faz a reforma agraria porque afirma não ter dinheiro mas em que os políticos, associados aos mega empresários da construção civil e outros demonstram ter mais que suficiente para construir estádios que em alguns casos sequer terão a utilização para que foram criados ou reformados. O LEGADO DA COPA será a enorme divida que ficara para o povo pagar e ainda corremos o risco de  sequer sermos campões do mundo o que se for usado como capital pelos políticos em campanha será outro problema.
A anos existe uma campanha de um setor da sociedade representada pelos políticos que são os pau mandados dos empresários de todos os tipos que tentam aprovar uma legislação que criminaliza os movimentos sociais  agora diante dos fatos mais violentos que vem ocorrendo e culminou com a morte de um cinegrafista essa legislação finalmente poderá ser aprovada rapidamente.
A história de nosso país e marcada pela luta dos oprimidos contra os opressores e o sangue dos oprimidos sempre jorrou de forma muito, mas muito mais intensa, foi trágico a morte do cinegrafista? Sem duvida, mas e a morte de tantas outras pessoas durante essas manifestações é menos grave? E as mortes causadas pelas policias pelo país afora são menos graves? Quem foi identificado? Quem foi julgado? Quem foi punido?

E nós com isso?

Indignados com essa situação, mas querendo ir além de somente a indignação e que após muitas conversas durante os intervalos na EE Prof Isaac Schraiber no ano passado é que decidimos nos organizar como um GRUPO DE ESTUDOS para melhor conhecer, interpretar os fenômenos sociais, nos posicionar e agir para dar nossa contribuição a transformação social.

No que acreditamos!



Acreditamos em um conjunto de princípios que são  liberdade/autonomia, organização do simples para o composto / federalismo (rede), auto­gestão, apoio mutuo e solidariedade.

Segundo Daniel Guerin "não me torno livre se­não pela liberdade dos outros... O homem só realiza a liberdade individual desde que se complete com todos os indivíduos que o envolvem e somente graças ao trabalho e ao poder coletivo da sociedade”, tal liberdade traz em si outro componente igualmente valioso que é a responsabilidade pelos seus atos, afinal como homem livre devo antes de qualquer coisa responder primeiro a minha propria consciência e depois a sociedade. Joyeux afirma que “é essa igualdade que formará a base da civilização libertária. A liberdade, princípio que consubstância um dos ma­is altos valores humanos é inconcebível sem a igualdade econômica".
O federalismo (REDE) deve ser visto como uma estrutura que cresce de baixo para cima, partindo do simples para o composto, da associação dos trabalhadores de uma empresa ou moradores, de uma região para outra e depois para a cidade,etc. A uma organização fundada na violência e no princípio da autoridade instituida, o ESTADO, devemos opor associações fundadas na auto-organização das pessoas e dos grupos sociais, em âmbito do bairro, cidade, estado, nacão,etc. É o indivíduo livre que se associa com outros  igualmente livres para gerir todos os assuntos que lhes dizem respeito.
O federalismo (a rede) reconhece o direito absoluto de qualquer cidade, pequena ou gran­de, forte ou fraca, a plena autonomia, desde que isso não implique em ameaça a liberdade dos outros. As obrigações devem fundar-se no princípio da liberdade. O direito de união livre e a secessão são fundamentais. Para Bakunin “A unidade só é verdadeira se for fundada na liberdade, numa federação livremen­te constituída por partes autónomas”.
Para Joyeux autogestão não é uma estrutura no seio da qual se elabora uma experiência socialista ela é o fruto de uma experiência socialista que resulta da ruptura revolucinária. É quando se produz essa ruptura que in­tervém a autogestão, simultaneamente como autogestão das lutas e da economia (ou o que restar dela).
É importante ressaltar que os libertários reconhecem a necessidade da adoção de regras em toda a sociedade, não pode existir autogestão sem regras. A consideração importante não é tanto se devem existir regras, e sim, sobretudo, o modo como as regras serão criadas, os processos determinarão sua extensão. O geógrafo anarquista Eliseo Reclus diz que “a anarquia é a máxima expressão da ordem, pois é a or­dem livremente aceita e não imposta”.
De acordo com Malatesta, essa organização:
“(...)outra coisa não é senão a prática da cooperação e da solidariedade, é a condição natural, necessária, da vida social, é um fato inelutá­vel que se impõem a todos tanto na sociedade humana em geral quanto em todo grupo de pessoas que tenham um objetivo comum a alcançar.”

Com sua forma específica de organização e a aplicação desses princípios, desejamos abolir de forma radical a dominação e a exploração do homem pelo homem. Queremos os homens, unidos fraternalmente por uma solidariedade consciente, que cooperem de modo voluntário com o bem estar de todos, que a sociedade seja constituída com o objetivo de fornecer a todos os meios de alcançar igual bem estar possível, o maior desenvolvimento possível moral e material.
Para isso estimamos ser necessário que os meios de produção estejam a disposição de todos e que nenhum homem ou grupo de homens, possa obrigar outros a obedecerem a sua vontade, nem exercer sua influência de outra forma senão pela ar­gumentação e pelo exemplo.
Para nós a democracia atual é a dos partidos, instituições e ESTADO não é a DEMOCRACIA REPRESENTATIVA dos espaços públicos, a DEMOCRACIA DIRETA, a ação direta é democrática, pois cria espaços públicos em que cada um é um e você não delega a ninguém, por isso somos contra o voto obrigatorio nas eleições, pois defendemos a auto-representação, cada cidadão é cidadão de si mesmo.
Proceder imediatamente e como se puder à expropriação dos capitalistas; ocupa­ção das fábricas, das terras, dos bancos, meios de transporte pelos trabalhadores. Inventário de todos os bens de consumo disponíveis e organização da produção e da distribuição através dos sindicatos, das cooperativas, das câmaras de trabalho, dos grupos de voluntários e de todos os tipos de associações existentes ou que se constituirião para responder as ne­cessidades imediatas.
Com as tecnologias disponiveis seria possível realizar assembléias, mesmo que por respresentação, onde todos poderiam acompanhar os debates e até intervir nas votações através das redes de computadores hoje disponiveis. Fazer reuniões de assembleias de bairro, cidades, intercidades, por regiões, naciona­is, internacionais que tomariam as iniciativas necessárias, em concordância com as dos outros, e que as realizariam sem pretender fazer a lei para todos, nem as impor pela força aos reticentes.

São por essa razões que continuamos nos reunindo para estudar, conhecer e nos organizar para lutar, caso tenha gostado de nossas ideias nos reunimos as sextas feiras na escola as 15hs, outro meio de contato é nossa pagina no face:



sábado, 22 de fevereiro de 2014

A busca cega do homem pelo desnecessário , de Rafael de Oliveira Ferreira.

A busca cega do homem pelo desnecessário.


O homem desde que descobriu o seu poder de manusear a natureza e usar outros homens para proveito próprio, busca por mais e mais poder, e mais bens de consumo ou bens duráveis. É incrível como o ser humano tem sede por poder, mesmo que ele já tenha uma casa, um carro, e uma conta bancária cheia de dinheiro, ele é capaz de matar pessoas para engrandecer esse capital que possui.
O detentor do poder, a cada nível que ele aumenta, se corrompe com mais facilidade. Se o cara é pobre, vive na miséria, e do nada ele assume um cargo de vereador, ele vai cegar na hora. Por que ele vai querer subir, até um ponto que o poder vai ter corrompido ele completamente, ele não vai mais se lembrar dos parentes, dos filhos, da mulher, da mãe. O objetivo desse homem vai ser aumentar seu capital e explorar, subornar e extorquir pessoas para que o seu crescimento obtenha êxito. A partir do momento que ele ganha poder, ele perde a consciência e o caráter.
A solidariedade e a caridade vão embora juntas com o caráter, pois o poder age de forma destrutiva no homem. Enquanto um homem rico anda com seu carro luxuoso, a criança desnutrida falece lentamente perto de um córrego de esgoto. A cada milhão de dólar que entra na conta do bilionário, mais um milhão de pessoas entram na linha da miséria.
Se o homem estivesse um pouco mais preocupado em ajudar o próximo, dividir o que tem para o bem de todos; a sociedade que vivemos talvez estivesse próxima de um fim do caos que o capitalismo nos proporciona. Digo ‘estivesse’ porque não vejo um êxodo social com um governo formado por políticos que se denominam “representantes do povo” quando na verdade são corrompidos, hipócritas, aproveitadores, mentirosos, ladrões de dinheiro público, genocidas e salafrários.
Acredito que o governo, é a fonte do poder, é o mal da sociedade, não de hoje, mas desde os tempos antigos! Acredito que com a extinção do governo instituído contribuirá para o êxito social da nossa sociedade. Quando toda forma de poder for extinguida da nossa realidade, o homem poderá ser um ser sociável. Se isso não for feito, continuaremos andando na corda bamba para a destruição do homem pelo homem.

Como disse Kropotkin: “Nas sociedades civilizadas somos ricos. Como se explica então tanta miséria ao nosso redor? Para que este trabalho pesado que embrutece as massas? Porque a falta de segurança do dia de amanhã? Têm-no dito e repetido a cada momento os socialistas com argumentos colhidos em todas as ciências. Porque tudo o que é necessário à produção: a terra, as minas, as máquinas, as estradas, o alimento, o abrigo, a educação, a ciência foi açambarcado por alguns, durante a vasta história de pilhagem, de êxodos, de guerras, de ignorância e de opressão, que a humanidade viveu antes de aprender a dominar as forças da natureza.
Porque a sombra de pretendidos direitos ganhos no passado, usurpam hoje dois terços do trabalho humano, que entregam a mais insensata e escandalosa dissipação; porque não tendo as massas com que se manter um mês, nem mesmo oito dias, só permitem que o homem trabalhe, com a condição de lhes deixar tirar a parte do leão; porque não o deixam produzir o quanto é necessário aos outros, mas só o que oferece grandes lucros ao açambarcador.
Todo socialismo consiste nisso!”

Piotr Kropotkin - A conquista do Pão.



Rafael de Oliveira Ferreira - 29/10/2013 Terça-Feira.